Amor de escola

Eu ainda nem tinha 10 anos, meus seios doíam e eu não sabia o que fazer com aqueles novos pêlos. 
Eu não era bonita, nunca fui. Naquela época não me arrumava, pelo menos não do jeito certo, não positivamente. Independente disso eu me sentia bem, e cá para nós, eu deveria ser assim até hoje, me sentir bem independente do resto. Gostava do meu jeito, mesmo estando sempre em constante mudança, eu gostava. Eu sempre exagerava na maquiagem quando não era sombra demais era o blush que já estava se igualando ao da nossa eterna Emilia, mas não me julgue ainda. Eu ainda estava descobrindo o mundo, eu ainda estava me descobrindo.
Eu não tinha muitas amigas, eu era bastante tímida. As poucas que tinha eram da minha época de infância, onde as palavras nunca sumiam. Eu tinha também uma paixão – é claro – todo mundo tem uma paixão nessa época. Sim, era platônica e totalmente oculta, pelo menos foi até um dia. Ele era um colega, mas eu o chamava de amigo. As poucas palavras que trocávamos eram sempre relacionadas a assuntos da escola, mas eu sempre ouvi um pouco mais no que ele dizia.O seu nome eu não posso nem nunca poderei contar.
As noites de insônia por causa da espera insasiavél pelas manhãs me serviam como ensaio, eu treinava cada palavra e gesto, para o dia seguinte.
Eu queria mostrar que eu era a pessoa certa, queria que ele olhasse para mim de uma maneira diferente.
Eu sabia que isso não ia dar certo para sempre, mas eu me contentava com alguns momentos de realiadadade, eu já estava cansada de sonhar. Eu era bastante tímida, mas meu sentimento não. Então, em questão de pouco tempo ele descobriu, não pela minha boca, porque me faltava coragem, mas pela boca daquelas que eu dizia ser amigas e - por incrível que pareça - pela minha profesora. A incerteza da sua reação me assombrou por muito tempo.O que eu sei é apenas o que me contaram: Ele não disse nada, apenas assenou com a cabeça e saiu andando. Eu não sei se isso foi um sinal bom ou ruim, só sei que a partir desse dia ele nunca mais falou comigo, pelo menos não como antes.
Eu tive que me despedir das implicâncias e apelidos e me acostumar com o novo colega da frente: Aquele que nunca mais disse olhando nos meus olhos.

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