Então você aparece. Como num flashback, me faz voltar no tempo e acreditar que as coisas poderiam ter sido diferentes. Então você decide que quer me ver. Eu decido não discordar de você. Vou ao seu encontro, mas deixo meu pobre e ingênuo coração em casa, trancado na última gaveta do meu armário. Apenas o meu corpo, apenas a minha mente querendo se distrair, querendo se divertir. No telefone, na internet, na esquina daquela rua onde ninguém vai. Nós não estamos juntos, estamos apenas querendo se divertir, e assim que eu gosto de dizer, me divertir.
Enquanto eu acho graça dos seus abusos, você diz que eu deveria aproveitar mais a vida. Seu cheiro está na minha roupa, minha roupa está no chão. Estou novamente nos seus braços, fingindo que esse já não é mais o meu lugar. Eu estava lutando contra meus próprios princípios, para aceitar você de vez em mim. Aquilo parecia à coisa mais suja do universo, mas nada disso importava porque você simplesmente estava por perto. Você e suas piadas, suas músicas cheias de ideias e o seu cheiro de perfume importado. Quando dei por mim, nossa aventura de uma noite se transformou em semanas. Aí você não apareceu, não retornou minha ligação e nem respondeu o meu scrap. Não conversamos mais, e quando nos vemos apenas trocamos um olhar. E muitas vezes vejo um pouco de desprezo nos seus. Dói muito em mim, não dói em você?
Foi aí que abri a última gaveta do meu armário e percebi que o meu coração já não estava mais lá. Você o roubou.

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