Por mais que tenha carro lindo, com cheirinho de novo, e uma carteira farta em grana. Tudo que eu queria era você, com o seu sotaque inconfundível, parecendo feito sob medida pra mim, perfeitos um ao lado do outro. Queria a sua pressa alternativa, tão condizente à minha – sempre presente. Dois envolvidos apaixonados dois queridos comuns, dois lindos complementares. Éramos o que eu queria que fossemos nós.
Fico embalada nessa minha felicidade, perseguida. Sem compreender porque Deus faz isso com a gente, e esquece o dó, a piedade num piscar de olhos. Só fui eu, esperando o carro vermelho vibrante parar em frente à minha casa azul, chorando pela tua ida, ainda diluída no meu pranto noturno. E você, cagando pra mim.
Te evito, e te sinto a falta como quem tenta respirar, mas tem asma; sempre em falta, suplicando por mais e mais e mais. E agora choro. Querendo não deixar que as lágrimas me inundem, porque já o fiz tanto, e nada me adiantou. Continuo querendo sempre amor, e você não se arrepende nunca.
Cantava contigo, as músicas bregas, as canções sem letras bonitas. E tudo que eu escutei depois de sair com o ricaço foram batidas de música eletrônica, que me dão enxaqueca. Eu fico aqui, depois de um primeiro encontro peculiar, querendo o nosso primeiro encontro, exato. Perfeito. Que eu não sei onde foi parar. Que eu já tentei de tudo pra resgatar. Choro, e escrevo, e intercalo as duas ações, freneticamente. E espero que um dia você leia isso, mesmo que seja daqui a dez anos, ou que reúnam algumas cartas dessa dor que eu encontro.
Como quem acha um roxo no meio do braço: em estado de surpresa. Daquelas que a gente cai, e acha que não vai deixar marca. Mas que quando a gente passa de leve a ponta do dedo, só machuca. Dói, dói e dói. Esperando que cure, que passe, que você quem sabe volte com um buquê e sem ligação, tocando a minha campainha sem que eu espere. Então pulando para a realidade, relembro que a chance disso acontecer é nula, o que só aumenta minha tristeza.
Fico cansada de chorar por você que nem ao menos se preocupa se estou viva, se estou bem, ou hospitalizada e em coma, sem ter o que fazer frente à esse seu tanto faz que urge nos meus ouvidos. Choro, quem sabe, porque sou fraca e medrosa pra ir além e tentar sabendo que dará errado, e essa é a última e única coisa na lista do que ainda é possível, antes que eu enlouqueça. Você que caga com a minha existência, e eu que produzo essa pilha de textos todos montados pela mente, tão triste; guiados pelo coração. Porém que extinguem momentaneamente esse sentimento de tudo que poderia, e não decolou: esse avião a que quis decolar, e fui impedida. O bom é que a pista anda livre, a vida tem seguido.
Sem notar também, como essa dor que nem ao menos sabia existir, daqui uns dias sorrio surpresa.








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